08/03/2007

Lembrando Dora Carrington

Dora de Houghton Carrington (1893 – 1932) não foi das mais eminentes pintoras britânicas, nem a mais representativa do estilo heterogéneo dos artistas do Grupo Bloomsbury. Sobre este assunto consultar http://bloomsbury.denise-randle.co.uk ou http://www.tate.org.uk. Só nas últimas décadas do século passado a vida e obra de Dora Carrington começa a ter evidência, ainda que devido, em parte, à publicação de obras póstumas de Lytton Strachey e de trabalhos acerca deste. Então o que torna aquela artista tão famosa? Para além das suas (poucas) obras, foi a ligação com este último — Lytton Strachey — que a imortalizou.

Giles Lytton Strachey (1880 – 1932) foi um importante biógrafo, ensaísta e poeta, também ele pertencente ao Grupo Bloomsbury. É de referir que a notoriedade da grande maioria dos membros deste grupo londrino, estava na sua excentricidade na ruptura com a moral vitoriana e numa postura de confronto (ou inconformismo) perante a sociedade eduardiana e os anos da Primeira Grande Guerra. Strachey foi praticamente um paradigma neste grupo. Quando Dora e Strachey se conheceram, não mais se separaram. Viveram juntos os quinze anos seguintes, apesar dos relacionamentos e do casamento de Dora e dos "affairs" de Strachey que era declaradamente homossexual. Quanto Lytton Strachey morreu, devido a cancro no estômago, Dora Carrington pôs termo à sua vida alguns dias depois. Em 1995, Christopher Hampton realizou o filme "Carrington", baseado no livro "Lytton Strachey" de Michael Holroyd. Contando com a sempre excelente Emma Thompson e a magistral interpretação de Jonathan Pryce, o filme é de grande beleza, a que a direcção de fotografia não é alheia. Diz-se de Dora Carrington que teve muitos amantes, mas apenas um amor.
 
Dora Carrington, Auto-retrato